Redação
O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou 111 procedimentos relacionados ao trabalho infantil em Mato Grosso ao longo de 2025. Os dados reforçam um cenário preocupante no estado, que apresentou aumento nos registros desse tipo de violação de direitos.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou, no último ano, cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho infantil. Em Mato Grosso, parte desses casos está enquadrada nas chamadas “piores formas de trabalho infantil”, conforme a Lista TIP (Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil), que reúne 93 atividades consideradas prejudiciais à saúde, à segurança e à moral de crianças e adolescentes.
No estado, foram identificadas 11 funções consideradas de risco ou prejudiciais ao desenvolvimento infantil, como atividades na agricultura, pecuária e exploração florestal, trabalho com inflamáveis e explosivos, oficinas mecânicas, venda de bebidas alcoólicas, construção civil, trabalhos em silos de estocagem e atuação como vaqueiro ou tratorista, entre outras.
Os registros foram protocolados em diversos municípios. Cuiabá lidera o ranking, com mais de 40 ocorrências. Em seguida aparece Barra do Garças, que ocupa o segundo lugar no número de registros, evidenciando a gravidade da situação também no interior do estado.
A comparação entre os anos de 2023 e 2024 mostra crescimento nos casos de trabalho infantil em Mato Grosso. Em 2023, foram contabilizados 45.502 registros envolvendo crianças e adolescentes, sendo 17.218 enquadrados na Lista TIP. Já em 2024, o número subiu para 45.711 casos, um aumento de 209 ocorrências. Desses, 17.576 estavam nas piores formas de trabalho infantil, alta de 309 registros, o que representa crescimento de 2,1%.
No mesmo período, o estado possuía 707.535 pessoas entre 5 e 17 anos. Desse total, 6,5% estavam em situação de trabalho infantil, colocando Mato Grosso como a quinta maior taxa do país.
O psicólogo infantil Rodrigo Brito alerta que as atividades incluídas na Lista TIP causam danos físicos, psicológicos e emocionais severos, além de comprometerem o desenvolvimento social e educacional de crianças e adolescentes.
“O trabalho infantil expõe crianças e adolescentes a situações de vulnerabilidade extrema, com riscos de acidentes, problemas de saúde e danos emocionais, como traumas, ansiedade, depressão e isolamento social”, explicou. Segundo o especialista, essas atividades também colocam em risco a integridade física, com possibilidade de queimaduras, mutilações, acidentes com máquinas ou animais peçonhentos e até morte.
Rodrigo Brito reforça que o trabalho infantil vai na contramão da proteção garantida por lei. “Lugar de criança e adolescente é na escola. O trabalho infantil impede o direito à educação, compromete a saúde mental e dificulta a construção de vínculos sociais e afetivos”, concluiu.
Fonte: g1 MT
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